Nossa Senhora da Fresta

Reza a lenda que na altura em que o rei D. Afonso Henriques conquistava a pulso cada um dos castelos arrebatados ao seu reino pelos mouros, ao chegar a vez de Trancoso, os muçulmanos dispuseram-se a uma longa defesa. Prenderam numa sala do castelo, com uma alta abóbada e apenas uma pequena fresta por onde entrava o ar, uma cristã da vila, Iberusa. Esta empoleirou-se na fresta e espreitou, vendo que a hoste do rei lusitano se aproximava. Para iludir o tempo e os nervos da espera, Iberusa chamou os quatro carcereiros mouros. Perguntou-lhes qual a sorte que a esperava e um deles respondeu-lhe que seria decapitada nessa mesma manhã.
Então apelou em pensamento a Nossa Senhora e pediu aos mouros que lhe fizessem companhia no tempo de vida que lhe restava, ao que eles acederam. A cristã contou histórias dos milagres de Deus e da vida pobre que Jesus levava na Terra. Ao ouvi-la, os mouros ficaram hipnotizados e não se aperceberam que a batalha cessara nem que Afonso Henriques entrara no castelo. O rei nem quis acreditar no que via: uma cristã calma rodeada por quatro mouros embevecidos!
Iberusa, na aflição das masmorras, prometera a Nossa Senhora construir ali mesmo uma capela. Cumpriu a promessa e fez erigir o templo de Nossa Senhora da Fresta. Chamou-se a este milagre a "conversão dos mouros de Trancoso".
As os milagres atribuídos a Nossa senhora da fresta não se ficam por aqui. Um dos mais conhecidos é o do bolo que as monjas dedicavam ao menino Jesus, quando coziam o pão da comunidade, para depois o repartir pelos enfermos. Conta-se que estes ao comê-lo saravam de imediato, sobretudo os que padeciam de cegueira.
Nossa Senhora da Fresta é homenageada em Trancoso em 15 de Agosto com uma grande festa. A sua capela situada na encosta da cidade, é considerada monumento nacional.

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Fonte: Freipedro.pt